quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Prefácio(?)


Não é um prefácio o que ora escrevo sobre essas páginas de Sandra Fontenelle, mas o registro de minhas breves impressões como leitor. Acho que escrever haikai é um desafio poético difícil, que exige habilidade do escriba, poder de síntese e a astúcia da observação, aliada com imensa paciência. É quase uma tarefa de eremita.

A poeta é uma menina-adulta, carregando no peito uma ruma de lembranças que certamente a acompanharão para sempre. Pergunto-me quanto tempo meditou para escrever cada haikai.

Sandra Fontenelle é uma vate inspirada e reinventa o sertão nos seus versos. Duas frases imediatamente me vêm à cabeça ao finalizar a leitura do livro: “O sertão está em toda parte”, como diria Guimarães Rosa, e “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, na força do verbo de Euclides da Cunha.  É o sertão e o sertanejo que emergem do livro. Porém não há fronteiras para a poesia. Ela toca o homem de diversas formas.

Escrito com ternura e simplicidade, além de impregnado de vivências e acontecimentos cotidianos, Ser Tão Poético é um livro pra gente ler e ver, captar as imagens, ficar extasiado ao fim de cada poema, basta carregar no coração a luta e a alegria da gente sertaneja.

Assim sendo, recomendo ao leitor que arme a rede no alpendre, deguste um pedaço de rapadura, beba um gole de água fria do pote e mergulhe nesse livro para sonhar.

 

Bruno Paulino - poeta.

2 comentários:

  1. Ao ler o prefácio já consigo imaginar nesta obra o quão importante é a valorização da cultura sertaneja, que possui uma identidade autenticamente brasileira.

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  2. Percebe-se claramente a exaltação das nossas raízes sertanejas ao ler o prefácio,nossas raízes reunidas na estimada obra de Sandra Fontenelle.Parabéns

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